Sobre o que vivi... - por Lemuel Ferreira | Convidados

Então, hoje sairia um conto MAS meu irmão está aqui na minha casa e quis postar um texto. Ele escreve razoavelmente bem, então deixei 😋
Aproveitem a leitura e não bebam, isso é ruim e feio. Bebam água.
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Pedi a minha irma para escrever algo nos meios que ela usa para se promover, e para falar com o publico no geral.
Confesso que ainda não sei o que escrever aqui, afinal, faz algum tempo que não escrevo coisa alguma.
Já escrevi sobre sentimentos, mas era tedioso, escrevi estórias e contos, mas não as finalizei, nem sei se finalizarei algum dia.
O fato, é que para escrever, é necessário estar bem, as pessoas em sua suma maioria, quando escrevem, escrevem sobre o que sentem, e o que vivem, se a realidade não é boa, dificilmente o texto o será, sempre transcrevemos de uma forma ou de outra, nosso estado de espírito.
Eu sou um jovem empresário no Brasil, o que infelizmente significa que nada estará bem, nunca.
Então não escreverei sobre minha condição, tão pouco sobre a deplorável situação do meu país.
Nesse caso, prefiro escrever sobre minhas andanças, por onde andei e o que vi, pelo mundo afora.
É um privilégio de muito pouca gente, andar por onde andei. Conheci no total vinte e seis países. Não morei neles, passei por eles, andei nas ruas, vivi experiências, gastei meu dinheiro, conheci pessoas, línguas e costumes, depois voltei deprimido para o Brasil, já sem dinheiro e perspectivas.
Um dos primeiros países que conheci foi a Argentina. Isso mesmo, não julgue os hermanos ainda, foram bem receptivos, e as mulheres são belas e sorridentes. Em Buenos Aires, bebi cerveja, comi carne e tomei vinho, nada de extraordinário, mas o clima era bom, frio e aconchegante. Lá conheci a Daniella Cuervo, a primeira argentina que falou comigo, e continuou falando até que deixei o país.
Depois fui a Montevidéu, no Uruguai, la comi alfajor (extraordinário), conheci a Helena, uma garçonete que trabalhava no restaurante do Los Mirantes, a pousada onde fiquei por três dias.
Helena era morena com cabelos negros enormes, e queria vir para o Brasil; tinha os olhos levemente puxados, o que me lembrou a Let, uma garota que conheci na Índia. Passamos estes três dias inseparáveis e senti como se já a conhecesse a anos. Infelizmente não pude trazê-la para o Brasil; estava a caminho da Europa, não queria ainda lembrar dos problemas que deixei em território brasileiro.
Parti sozinho para a Europa, e esses foram dias esplêndidos.
Em Tenerife comprei eletrônicos baratos, muito baratos, além de tudo, a ilha era de uma beleza exótica e cativante, pela primeira vez, não senti vontade de deixar um lugar. Em Ibiza, foi onde descobri o que era uma festa, tudo era motivo para comemorar, beber algo. Em Lisboa, apenas vi a história se formando e se transformando, apesar do lugar bonito e da segurança de andar nas ruas, alguma coisa me lembrou o Brasil e seus problemas, o que me fez deixar Lisboa antes do tempo; fui para Porto, nessa cidade portuguesa me senti bem. A cidade era aconchegante, receptiva e gostei de me demorar mais nela, comprei algumas garrafas de vinho do porto que não sobreviveram até minha saída. Em Civitavecchia, comprei um casaco de frio, e fui visitar Roma de trem; comprei alguns quadros e souvenires, e parti para a Espanha. A Espanha sempre foi maravilhosa, Barcelona foi a primeira cidade que visitei, e quase não conseguia deixá-la. Me detive na Espanha, visitei Madrid, Cadiz entre outras pequenas cidades. E a viagem continuava, França, Inglaterra, Irlanda, Escócia... terras fascinantes e acolhedoras, até que parti para o norte da Europa, para as regiões Nórdicas.
O primeiro país do norte foi a Holanda, Amsterdã é linda e iluminada, fria e tradicional, nesse dia, decidi que não queria voltar ao Brasil, precisava morar naquele lugar, ou em outro similar. Em Kiel, tomei a cerveja alemã e conhaque, uma das melhores bebidas da minha vida, o frio era implacável, mas não diminuía em nada a beleza do lugar, era lindo.
Na Rússia o frio era criminoso, era impossível andar por Moscou, sem varias doses de vodka no sangue.
Continuei com a viagem, Macedônia, Noruega, Áustria, Bélgica Suíça...  Lindos.
Após muito trabalho, voltei meio deprimido para o Brasil, e desde então me preparo para deixar minha pátria e seus inúmeros  problemas e procurar as melhoras que jamais alcancei no Brasil.
Não se engane o leitor, eu sou patriota, sei o hino nacional e não apenas canto, eu sei o canto, e todas as vezes que o canto, canto uma mentira.
Não consigo me conformar com os roubos e escândalos que vivemos todos os dias.
Eu tenho vergonha do povo brasileiro, vendemos nossos votos, damos sempre um jeitinho e vivemos nossas vidas sem se importar com o quanto somos massacrados e roubados.
Deixarei o país com um gosto amargo na boca, pois sou mais respeitado pelo povo de uma nação estranha do que pelo meu próprio povo, pelos governantes de outro país, enquanto os que governam o meu estão ocupados enchendo os bolsos e juntando fortunas, em vez de trabalhar na melhora do nosso país.
Não sei se minha irmã vai publicar esse texto, mas se o fizer, espero que todos os que se deem ao trabalho de ler, possam entender um pouco da minha revolta, que também deveria ser a sua. Muitos nem lerão, porque preferem outras atividades à leitura, não se informam, não evoluem, vivem alienados.... pois é nesse país que vivemos, o país das bundas e não dos inteligentes.

the end for now

3 comentários:

  1. Um bom texto, que relata, exatamente a frustração de ser brasileiro... e cantar por toda uma vida, uma mentira...

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    Respostas
    1. É revoltante nossa situação.
      Me sinto atado, e acredito que esse não é um sentimento que eu apenas sinto...
      Gostaria que mudanças assolassem nossos bandidos com justiça.
      E que o respeito fosse nosso presidente.

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