Devaneios...

Queria dizer mil coisas,
falar de coisas mil.
Queria poder agir, sair desse canto e viajar pelo mundo.
Queria deixar minha casinha aqui, pegar meu passaporte, minha mala nem tão cheia, ir direto ao aeroporto.
Queria poder chegar lá pouco tempo antes de pegar o voo e relaxar.
Sentar em uma janela do avião e observar o chão se afastar na subida. Todos os problemas lá embaixo. Os assaltos, as mortes, as desilusões... e eu lá em cima, voando para um lugar legal em que não conheço ninguém.
Depois que a Terra já estivesse longe e eu apenas visse o oceano abaixo, eu colocaria uma música bonita para tocar, fecharia meus olhos e iria relaxar. Descansar.
Quando chegasse no aeroporto, de Londres, quem sabe, eu iria pegar minha mala, que não ia ser perder em algum outro lugar, e um táxi para o hotel chique que reservei há mais de seis meses.
Chegando nesse hotel - fecho os olhos... quase consigo imaginar, sentir a sensação - vou para meu quarto que está devidamente organizado pela camareira e começo a me instalar. Sim, vou passar umas duas semanas aqui. Apenas duas. Isso tudo, sim.
Já estou descansada do voo. Dormi quase todo o tempo e pode crer, foi longo.
Vou andar pela rua. Esse lugar é lindo. O céu está azul, bem azul. O sol forte me queima a pele. Mas o clima está ameno. O vento sopra, sereno, frio... que sensação boa. Paro, fecho os olhos e respiro fundo. Liberdade. Vida.
Vou andar por aí, parar em um restaurante e almoçar. Ou simplesmente parar em uma linda praça e observar.
Eu amo observar.
Tem uma senhora ali, e ela está com sua netinha andando pela praça. A menininha está com um picolé aparentemente muito bom. Fiquei com vontade.
Ali, tem um casal apaixonado. Estão sentados bem perto de uma árvore, conversam baixinho e trocam risinhos e olhares. Que fofinho.
Do outro lado tem uma criança, que brinca sem parar. Seus pais estão sentados, aparentemente estressados, mas não se importam em estar lá.
Tem um rapaz que está sozinho, e está vindo em minha direção. Ele parece ser simpático. Está com o sorriso estampado no rosto, de lado a lado. Me disse "Hi". Sorri de volta e respondi "Hi". Mas virei o rosto, pois não quero conversar. Quero observar as pessoas. E ele está fazendo o mesmo.
Tem um cachorrinho correndo, soltou-se da coleira. Que fofo, me lembrou minha cachorrinha. Sinto saudades dela, agora.
Por fim, vejo uma menina lá do outro lado... ela está sentada perto de um rapaz que como ela, está calado. Ele levanta, diz "Bye" e sai. O que está do meu lado fez o mesmo... Fiquei confusa agora. Que medo.
Fecho os olhos novamente, respiro fundo.
O ar não é mais tão puro, me assusto. Abro os olhos rapidamente.
Oh não! Era coisa da minha mente! Estou sentada em minha cadeira giratória do escritório. Em minha frente, tenho um espelho e posso ver meu desalento em ter acordado desse devaneio tão real.
Acreditei tanto no pensamento que parei de dizer "estaria" e dizia "estou".
Me jogo em minha cama, tentarei então sonhar. Ou melhor.. vou escrever esse desejo. Quando ele se realizar, vou ler, rir e quem sabe... contar a alguém. Ou posso contar antes.
Quem sabe...
Pelo menos minha cachorrinha está comigo agora.
Tenho que lembrar de levá-la comigo. Será que pode?
Veremos.


4 comentários:

  1. O sonhar próprio do "Homem" mas Deus e quem realizar entrega os teus caminhos ao Senhor confia nele e ele tudo fará porque para ele nada e impossível , que o eterno te cubra de benção

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  2. Como é bom sonhar! Realizando ou não os nossos sonhos, é uma faculdade humana maravilhosa!

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    Respostas
    1. Sem dúvidas, Marcelo! Sonhar produz uma sensação tão maravilhosa que mesmo que o mesmo não se concretize, só sonhar já foi suficiente, por hora. É de fato, maravilhoso.
      Obrigada por estar por aqui! :)

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